quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Bope

RIO - Os “caveiras”, policiais militares que atuam no Batalhão de Operações Especiais (Bope), ganharam status de heróis com o filme “Tropa de elite”, do diretor José Padilha. No longa-metragem, o Bope é apresentado como uma polícia incorruptível, criada exclusivamente para combater o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O jornal “Washington Post” publicou uma reportagem, nesta segunda-feira, afirmando que o filme levantou no Brasil a discussão sobre a violência do Rio. O longa-metragem também foi debatido por dois “caveiras” originais (veja vídeos) , no GLOBO ONLINE. O filme chegou a ser acusado de fazer apologia à tortura . Mas até que ponto criar uma tropa de elite é eficaz no combate ao tráfico?

“ Segurança pública é muito mais do que repressão “

O GLOBO ONLINE perguntou aos internautas em que tipo de polícia se deve investir para combater o crime com eficácia ( veja resultado da pesquisa ). Para 53% dos 2.415 participantes, é preciso fortalecer cada vez mais essa polícia de confronto, preparando todos os policiais para se tornarem “caveiras”. Outros 38% acham que é preciso aplicar mais recursos de inteligência na polícia. E apenas 9% acreditam que o mais eficaz é investir mais em policiamento comunitário.

O antropólogo da UFRJ Gilberto Velho, autor do livro “Rio de Janeiro: cultura, política e conflito”, adivinhou a alternativa preferida da maioria dos leitores sem conhecer o resultado. Segundo ele, não é difícil concluir que uma população aterrorizada por uma guerra sinta falta de combate ostensivo. Ele, no entanto, alerta:

- Segurança pública é muito mais do que repressão. Temos que ter cuidado com isso, porque o Bope, embora tenha atuação importante, não pode ser a concepção do que é polícia. A solução seria alguma coisa próxima da junção entre as duas alternativas menos votadas.

O resultado da enquete também não surpreendeu o sociólogo Ignácio Cano. Para ele, a segurança pública é hoje uma grande preocupação da sociedade carioca e, por isso, já era esperada essa reação.

- As pessoas acham que violência se combate com violência. Poucos acreditam em um investimento em policiamento comunitário por isso - disse, ressaltando que é preciso considerar que, nesse tipo de enquete, normalmente quem responde são as pessoas mais mobilizadas.

O pobre, a maior vítima da violência

O sociólogo acredita que essa não é a solução para o combate ao tráfico. Para ele, por ser um batalhão especial, ele perderia o sentido se todos se tornassem ‘caveiras’:

- É como se você defendesse que todos os médicos deveriam ser neurocirurgiões. Essa é uma especialização da polícia.

Gilberto Velho sinaliza a saída para os problemas de segurança pública na direção dos investimentos sociais e garante que uma não pode ser separada da outra.

“ A guerra tem início, meio e fim. O que a gente vive não tem fim “

- Os locais em que há maior nível de violência da cidade não contam com nenhuma assistência. Não têm saúde, educação, infra-estrutura. O pobre é a maior vítima da violência, que, na maioria das vezes, ocorre ao lado dele. Não dá para falar em segurança sem abordar o aspecto social - completou Velho.

Diferentemente do colega da UFRJ, o professor Cano não vê a situação da violência que o Rio vive hoje como uma guerra. Para ele, uma guerra tem objetivos definidos, além de dois lados estruturados, o que não acontece na cidade.

Cena do filme Tropa de Elite: divulgação

- A guerra tem início meio e fim, o que a gente vive hoje não tem fim. Quando um bandido morre, ele é simplesmente substituído. Isso não acaba. Além disso, você não tem dois lados bem estruturados, com objetivos políticos. Aqui, os objetivos são os lucros individuais - afirmou.

O antropólogo Gilberto Velho lembra, porém, que, na prática, o cenário carioca tem diversos pontos em comum com um conflito bélico tradicional - em número de mortos, presente no toque de recolher existente em diversas favelas e nas paisagens das áreas mais violentas parecidas com as do Iraque.

Para Cano, a melhor solução para o combate ao tráfico seria promover uma mudança na relação com as comunidades. Além disso, seria preciso acabar com essa doutrina que o Bope segue hoje, com um treinamento militar, de combate violento.

Partidário da necessidade de mudanças em algumas esferas da administração pública, como na gestão policial e na aplicação de políticas sociais, Gilberto Velho também critica a passividade da sociedade.

- Falta participação dos cidadãos. A gente consegue reunir 1 milhão de pessoas num show do Rolling Stones, mas não leva 300 para a frente do Palácio Guanabara para protestar contra o governo do estado - finaliza

Introduçao

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) trabalhou muito bem. Muitas vezes eles salvam vidas, mas era uma situação delicada porque envolvia o comportamento imprevisível de uma pessoa. Neste caso, inclusive, como soubemos, havia oscilações de depressão e raiva — disse o governador. — O Gate atuou segundo seu procedimento.
Ao perceber que havia ameaça de morte dos reféns, entraram no local para preservar a vida de quem estava lá.
Serra evitou comentar um dos pontos mais criticados da atuação da polícia: a volta de Nayara ao cativeiro 34 horas após ter sido libertada: — O coronel (Eduardo José Félix) deu uma explicação, que é a explicação que nós temos. E, quando ela (Nayara) sair do hospital, dará sua explicação.”(Diário de São Paulo)
http://www.estadao.com.br/fotos/eloa_nayara.jpg

Biografia

O Batalhão de Operações Especiais (BOPE) é uma tropa de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.A tropa é adotada em operações de alto risco, em especial incursões em favelas e confrontação com narco-traficantes. Faz uso constante de armamentos muitas vezes restritos às Forças Armadas Brasileiras, como por exemplo a metralhadora antipessoal Heckler & Koch HK21 A1 calibre 7.62×52mm OTAN, uma arma de fogo que já foi utilizada pelas tropas de elite GSG-9 alemãs e ainda se encontra em uso por tropas de países como Portugal e Paraguai. A fabricação desse armamento foi descontinuada na Alemanha, seu país de origem, após as forças policiais alemãs adotarem a versão mais moderna HK21E. Hoje em dia é produzida, sob licença, no Mexico, Portugal e Grécia.

Histórico

O BOPE foi criado em 19 de janeiro de 1978 como Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), através de um projeto elaborado e apresentado pelo então Capitão PM Paulo Cesar Amendola de Souza ao Comandante-Geral da PMERJ, à época, Coronel EB Mário José Sotero de Menezes.

Na década de 1980 foi elevado a categoria de Companhia de Operações Especiais (COE), mudando pouco depois de denominação, após ganhar autonomia administrativa, para Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE). Em 1991 é finalmente transformado em Batalhão, mantendo-se ainda aquartelado no Regimento Marechal Caetano de Farias, sede do Batalhão de Polícia de Choque entre outras unidades policiais.

No ano de 2000 ganha instalações próprias, localizadas na comunidade Tavares Bastos, no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul da capital fluminense.

Veículos blindados - “Caveirões”

O BOPE possui veículos blindados mais conhecidos como Caveirão[1] veículo este que é utilizado, principalmente, em operações em favelas onde há conflito com traficantes. Não há armas de fogo diretamente acopladas ao Caveirão: as armas utilizadas são levadas pela equipe de policiais embarcados. Um de seus principais usos é romper barreiras físicas, sendo ainda adotado no resgate de feridos em confrontos.

O Caveirão tem-se tornado um instrumento “popular” ao prestar auxílio às forças policiais. Hoje as Polícias Civil e Militar já contam com oito viaturas desse tipo, sendo uma delas pertencente a Polícia Civil e as demais da Polícia Militar. Foram batizados de “Pacificadores”, apesar de todos eles possuírem a alcunha de “Caveirões”, o nome do primeiro blindado adquirido pela PMERJ.

Armamentos disponíveis para a os policiais do BOPE

Devido suas atuações em situações especiais, é disponibilizado armamento diferenciado aos policiais que servem no BOPE. Alguns deles:

* Fuzil M16 calibre 5.56×45 (Submetralhadora)
* Fuzil FAL calibre 7.62×51 fabricado pela IMBEL
* Fuzil Pára-FAL calibre 7,62×51 fabricado pela IMBEL
* Fuzil Colt M4A1 calibre 5.56×45
* Fuzil AK 47 calibre 7.62×39
* Fuzil HK G3 calibre 7.62×51
* Fuzil-metralhadora MADSEN calibre 7.62×51 com bipé (arma antiga, com carregador curvo montado sobre a caixa)
* Carabina M-1 calibre .30
* Espingarda Benelli M3 (modelo Pump-action)
* Pistola Taurus PT 92 calibre 9mm
* Pistola Taurus PT 100 calibre .40
* Submetralhadoras HK MP5 e MP5K calibre 9mm
* Submetralhadora FN P90 calibre 5.7×28
* Metralhadora leve HK21 A1 calibre 7.62×51

Treinamento de Artes Marciais para os policiais do BOPE

Devido as missões de alto risco em que o BOPE enfrenta, seus integrantes devem estar preparados para o máximo de desdobramentos possíveis, incluindo o combate corpo-a-corpo. Sendo assim, procuram estar informados e treinados em diversos tipos de Artes Marciais, tais como:

* Ving Tsun - Arte Marcial de origem Chinesa
* Jiu-Jitsu - Arte Marcial de origem Indiana e aprimorada no Brasil apartir das técnicas de Ne Waza do Judô “Brazilian Jiu Jitsu”
* Muay Thai - Arte Marcial de origem Tailandesa
* Kombato - Sistema de defesa pessoal de origem brasileira
* Krav Magá - Sistema de defesa pessoal de origem israelense
* entre outras.
Ingresso

Há a necessidade de o candidato ser policial militar há pelo menos dois anos, possuir condicionamento físico excelente, assim como ser aprovado nas avaliações médica e psicológica. São duas as modalidades de curso, uma para cada uma das divisões do batalhão.

* Curso de Ações Táticas (CAT): Tempo de duração de dois meses, direcionado ao resgate de reféns.
* Curso de Operações Especiais (COEsp): de três a cinco meses, prepara o policial para intervenções em áreas de conflito.

Existe ainda o Curso de Patrulhamento em Áreas de Alto Risco - CPAAR, que é aplicado à cadetes do 2º ano da Academia de Polícia Militar Dom João VI, voluntariamente, bem como o Estágio de Aplicações Táticas, realizado também para os cadetes do 3º ano da APM Dom João VI, obrigatoriamente, e às praças de outras unidades da PMERJ, de acordo com calendário fixado pela Corporação.
O filme

Tropa de Elite (filme)

Estreou nos cinemas brasileiros em 12 de outubro de 2007 o filme Tropa de Elite, que é inspirado nas ações do BOPE em suas incursões nas favelas da cidade do Rio de Janeiro.

O filme é do cineasta José Padilha, e foi baseado no livro Elite da Tropa, escrito pelos integrantes do BOPE André Batista e Rodrigo Pimentel, em parceria com o antropólogo Luiz Eduardo Soares. O enredo do livro baseia-se em relatos históricos vividos pelos policiais e em relatos semifictícios da rotina do batalhão.

Tropa de Elite tem como protagonista o ator Wagner Moura, no papel de um oficial do BOPE. Para cuidar dos efeitos especiais, como tiros e explosões, Padilha chamou o especialista Phil Nelson, coordenador de dublês do filme Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott. “O filme aborda o problema da violência urbana do ponto de vista dos policiais”, explica o diretor.

Padilha confessou ter se impressionado com a reação popular ao filme. Segundo o diretor, o filme é uma crítica clara contra a violência e a tortura e não um suporte à violência policial. Wagner Moura disse duvidar que moradores de países como Finlândia ou Suíça veriam tais policiais como heróis, ao passo que muitos brasileiros claramente nutrem um certo respeito pelo Cap. Nascimento.[1]

O Cap. Pimentel, ex-membro do BOPE, co-autor do livro que deu origem ao filme e que serviu de inspiração para o personagem interpretado por Wagner Moura, disse que o filme surgiu em um momento delicado pelo qual passa a cidade do Rio de Janeiro, envolta pelo caos e violência. O capitão, que possui uma surpreendente semelhança física com o ator, em uma entrevista fornecida pouco após o término da operação policial que antecedeu a chegada do Papa à cidade e a qual liderou, afirmou: “a policia esqueceu a sua missão principal. Não estamos mais aqui para servir e proteger, mas apenas lutando nossa pequena guerra particular contra os traficantes”. A desilusão que se seguiu fez com que o capitão deixasse o BOPE em 1998. A frase “Guerra Particular” foi adotada pelo cineasta João Moreira Salles para entitular o documentário “Notícias de uma guerra particular”, do qual a entrevista citada faz parte.

Reação Internacional

Segundo o documentário “Wardogs” produzido em 2005, o BOPE foi considerado (por seus idealizadores) a melhor polícia de operações especiais do mundo, onde um membro da Guarda Nacional dos Estados Unidos supostamente chamado Bain Serna passa cinco semanas com o batalhão [2]. Após o documentário, Serna declarou a um jornal do Texas: “É a melhor equipe de combate urbano do mundo. Nossas tropas no Iraque deveriam aprender com o BOPE”.

Um projeto americano sobre Execuções Extrajudiciais da Universidade de Direito de Nova York, por outro lado, acusou o BOPE de matar quatro adolescentes sob a falsa alegação de serem traficantes que resistiram prisão. Tal projeto acusou o BOPE de plantar evidências de crimes que não ocorreram.[2] A Anistia Internacional também condenou os métodos usados pelo BOPE, especificamente o uso do “Caveirão”, e atribuiu um grande número de mortes de civis inocentes ao batalhão. [3]

Segundo o jornal New York Times [4], no tempo em que a história se passa no filme “Tropa de Elite”, o BOPE possuía 120 membros e era considerado “O céu para os policiais honestos do Rio de Janeiro”. Hoje em dia, a força cresceu, incorporando mais de 400 homens, e sua fama de incorruptível em parte se desfez, apesar de sua reputação de brutal e violenta ter permanecido inquestionável.

Há que se lembrar também de sua desastrosa atuação durante o seqüestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro onde, devido a imperícia de seus membros, a professora Geisa Gonçalves acabou sendo morta. O sequestrador, Sandro do Nascimento, foi assassinado por asfixia pela polícia, minutos mais tarde.

Outras unidades de elite

* ROTA (São Paulo)
* SWAT (Los Angeles)
* GSG 9 (Alemanha)
* Sayeret Matkal (Israel)
* Special Air Service - SAS (Reino Unido)
* Delta Force (EUA)
* Special Air Service Regiment - SASR (Austrália)
* Kommando SpezialKraefte - KSK (Alemanha)
* Groupe d’Intervention de la Gendarmerie Nationale - GIGN (França)
* Karhuryhmä (Finlândia)

Ligações externas

* Site Institucional PMERJ
* Sítio oficial do Batalhão de operações Policiais Especiais-PMERJ
* Mais informações sobre o BOPE-RJ no Diário de um PM
* Mais informações no Blog do BOPE (blog não oficial)
* Site oficial do Filme ‘Tropa de Elite’
* Mapa do QG do BOPE